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iCare - hipodermóclise

uso de hipodermóclise baseado em evidências

Boas-vindas ao iCare

Olá,

Este material foi criado para apoiar o uso da hipodermóclise, reunindo informações práticas para consulta, organização da visita e tomada de decisão clínica.

Foi dada preferência a artigos originais, incluindo ensaios clínicos randomizados controlados (RCT), estudos não randomizados e estudos observacionais realizados em humanos. Quando essas informações não eram suficientes, elas foram complementadas com dados de manuais, guias e opinião de especialista.

Sobre este material

  • Gerado com auxílio de inteligência artificial.
  • Validado por seus idealizadores.
  • Organizado para consulta rápida por profissionais envolvidos no cuidado.
Foto de Bruno Belo Lima

Bruno Belo Lima

Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com residência em Clínica Médica pela Unicamp e residência em Medicina Paliativa pela USP. Mestrando em Educação em Saúde pela Unifesp. Atua como Médico Paliativista do Programa TeleNordeste-BP e professor da disciplina de Cuidados Paliativos da Faculdade de Medicina Unoeste - Guarujá.1,2

Foto de Marinete Esteves Franco

Marinete Esteves Franco

Enfermeira formada pela Escola de Enfermagem da USP. Especialista em Enfermagem em Terapia Intensiva na modalidade Aprimoramento Profissional pela USP, com Residência em Saúde do Idoso em Cuidados Paliativos pela USP. Enfermeira do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital Nove de Julho - SP e Coordenadora do Comitê de Enfermagem da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP).3

Foto de Aline Maria de Oliveira Rocha

Aline Maria de Oliveira Rocha

Médica formada pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), pediatra pelo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP) e reumatologista pediátrica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Mestre em Cuidados Paliativos pelo IMIP, especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Paliar e em Bioética pelo Albert Einstein, doutora pela UNIFESP com foco em Cuidados Paliativos Pediátricos. Atua como Coordenadora Adjunta e Professora Assistente do curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo, médica da Equipe de Transição Pediátrica do Instituto Perdizes - HCFMUSP e preceptora da EPM/UNIFESP como profissional afiliada.4,5

Uso responsável

  • As informações apoiam a prática clínica, mas não substituem avaliação profissional.
  • A prescrição deve considerar condição clínica, metas de cuidado e protocolos locais.
  • Monitorar o sítio de punção e reavaliar conforto, sintomas e resposta terapêutica.
Referências usadas nesta aba
  1. Thomaz RP, Molina MR, Lima BB, Filizzola DS, Grecco MS, Zuanazzi MVD, et al. Equity of Access to Palliative Care Through Telehealth: Experience Report. American Journal of Hospice and Palliative Medicine. 2025.
  2. Universidade do Oeste Paulista (Unoeste). Unoeste promove treinamento em hipodermóclise a residentes. Presidente Prudente: Unoeste; 2025.
  3. Franco ME, Salvetti MG, Donato SCT, Carvalho RT, Franck EM. Perception of dignity of patients in palliative care. Texto & Contexto Enfermagem. 2019;28:e20180142.
  4. Rocha AMO, Mello MJG, Torres JRD, Valença NO, Maia ACA, Cavalcanti NV. Palliative Care in Congenital Syndrome of the Zika Virus Associated with Hospitalization and Emergency Consultation. Journal of Tropical Medicine. 2018;2018:1025193.
  5. Rocha AMO, Mendes PHM, Mauricio LS, Henrique EA, Crispim DH, et al. Palliative Care Service Needs of Children with Complex Chronic Conditions in a Hospital-to-Home Transition Unit: Insights from an Underserved Population. Journal of Palliative Care. 2026.

Informações para não profissionais de saúde

Cuidador observando com atenção o local da hipodermóclise em uma pessoa em cuidado domiciliar
Cuidado, observação e comunicação com a equipe de saúde.

Conteúdo educativo

Esta área foi criada para pacientes, familiares e cuidadores. Ela não substitui avaliação, prescrição ou acompanhamento por profissionais de saúde. A hipodermóclise só deve ser indicada, prescrita, instalada e monitorada por equipe habilitada.1,2

O que é hipodermóclise?

A hipodermóclise é uma forma de aplicar soro ou medicamentos logo abaixo da pele, na camada de gordura antes do músculo. Pode ser usada quando a pessoa não consegue engolir bem, apresenta náuseas ou vômitos, está muito fraca ou quando pegar uma veia é difícil. A absorção costuma ser mais lenta do que pela veia, mas pode ajudar a hidratar, aliviar sintomas e trazer conforto.1,2,3

O líquido entra por um pequeno dispositivo fixado com curativo. A indicação, a punção e os ajustes devem ser feitos pela equipe de saúde. A principal função do cuidador é manter esse local protegido, perceber mudanças importantes e avisar a equipe quando algo parecer diferente.1,2,3

O que observar no dia a dia

  • Se o curativo está limpo, seco e bem fixado.2
  • Se a pele ao redor está sem dor, vermelhidão, inchaço, endurecimento ou vazamento.2
  • Se o frasco, o equipo ou a bomba continuam funcionando como orientado.
  • Se a pessoa está confortável e sem piora importante do estado geral.1,2

Quando chamar a equipe

  • Dor persistente, vermelhidão progressiva, calor, sangramento, bolha ou ferida.1,2
  • Inchaço importante, vazamento, curativo solto ou dispositivo fora do lugar.1,2
  • Febre, calafrios, falta de ar, confusão, sonolência intensa ou piora clínica.1,2
  • Qualquer dúvida sobre medicamento, volume, horário, gotejamento ou funcionamento do dispositivo.

O que não fazer

  • Não trocar medicamentos, doses, horários ou volumes por conta própria.2
  • Não aumentar ou reduzir o gotejamento sem orientação.2
  • Não retirar o dispositivo, exceto se houver orientação da equipe ou situação de emergência definida previamente.
  • Não aplicar novos medicamentos no mesmo local sem autorização profissional.

Cuidados com a hipodermóclise

  • Evite puxar, dobrar ou apoiar peso sobre o equipo, a extensão ou o local da punção.
  • Não molhe o curativo no banho; proteja a região conforme orientação da equipe.
  • Não aplique pomadas, álcool ou outros produtos no local sem orientação profissional.
  • Observe o local algumas vezes ao dia e sempre que houver dor ou desconforto.1,2
  • Procure ajuda imediatamente diante de falta de ar, confusão, sonolência intensa ou piora súbita.1,2

Mensagem principal

A hipodermóclise pode ajudar no conforto e no cuidado quando bem indicada e acompanhada. O papel do cuidador é observar, proteger o local e comunicar sinais de alerta. A decisão e os ajustes do tratamento devem ficar sempre com a equipe responsável.1,2,3

Referências usadas nesta aba
  1. Sasson M, Shvartzman P. Hypodermoclysis: an alternative infusion technique. American Family Physician. 2001.
  2. Manual Hipodermóclise da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) 2025. O uso da via subcutânea na geriatria e em cuidados paliativos. 3ª edição.
  3. Vasconcellos C, Milão D. Hipodermóclise: alternativa para infusão de medicamentos em pacientes idosos e pacientes em cuidados paliativos. PAJAR. 2019.

Idealizadores

Foto de Bruno Belo Lima

Bruno Belo Lima

Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com residência em Clínica Médica pela Unicamp e residência em Medicina Paliativa pela USP. Mestrando em Educação em Saúde pela Unifesp. Atua como Médico Paliativista do Programa TeleNordeste-BP e professor da disciplina de Cuidados Paliativos da Faculdade de Medicina Unoeste - Guarujá.1,2

Foto de Marinete Esteves Franco

Marinete Esteves Franco

Enfermeira formada pela Escola de Enfermagem da USP. Especialista em Enfermagem em Terapia Intensiva na modalidade Aprimoramento Profissional pela USP, com Residência em Saúde do Idoso em Cuidados Paliativos pela USP. Enfermeira do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital Nove de Julho - SP e Coordenadora do Comitê de Enfermagem da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP).3

Foto de Aline Maria de Oliveira Rocha

Aline Maria de Oliveira Rocha

Médica formada pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), pediatra pelo Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP) e reumatologista pediátrica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Mestre em Cuidados Paliativos pelo IMIP, especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Paliar e em Bioética pelo Albert Einstein, doutora pela UNIFESP com foco em Cuidados Paliativos Pediátricos. Atua como Coordenadora Adjunta e Professora Assistente do curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo, médica da Equipe de Transição Pediátrica do Instituto Perdizes - HCFMUSP e preceptora da EPM/UNIFESP como profissional afiliada.4,5

Referências usadas nesta aba
  1. Thomaz RP, Molina MR, Lima BB, Filizzola DS, Grecco MS, Zuanazzi MVD, et al. Equity of Access to Palliative Care Through Telehealth: Experience Report. American Journal of Hospice and Palliative Medicine. 2025.
  2. Universidade do Oeste Paulista (Unoeste). Unoeste promove treinamento em hipodermóclise a residentes. Presidente Prudente: Unoeste; 2025.
  3. Franco ME, Salvetti MG, Donato SCT, Carvalho RT, Franck EM. Perception of dignity of patients in palliative care. Texto & Contexto Enfermagem. 2019;28:e20180142.
  4. Rocha AMO, Mello MJG, Torres JRD, Valença NO, Maia ACA, Cavalcanti NV. Palliative Care in Congenital Syndrome of the Zika Virus Associated with Hospitalization and Emergency Consultation. Journal of Tropical Medicine. 2018;2018:1025193.
  5. Rocha AMO, Mendes PHM, Mauricio LS, Henrique EA, Crispim DH, et al. Palliative Care Service Needs of Children with Complex Chronic Conditions in a Hospital-to-Home Transition Unit: Insights from an Underserved Population. Journal of Palliative Care. 2026.

História da hipodermóclise: de técnica antiga ao ressurgimento atual

A hipodermóclise, ou utilização da hipoderme para administração de soluções e medicamentos, atravessou fases de ampla utilização, descrédito e retomada parcial. Seu abandono histórico se relaciona principalmente a uso inadequado, eventos adversos associados a volumes ou soluções impróprias e preconceito profissional, mais do que a falhas intrínsecas da técnica.1,2,3,5

Imagem ilustrativa relacionada à história da hipodermóclise

Linha do tempo

1865 ao início dos anos 1900

Origem e uso inicial

A técnica é descrita desde 1865, inicialmente associada a Cantani, e passou a ser empregada em hospitais para tratamento de desidratação, inclusive em contextos de epidemias de cólera.1,2

1903 a 1950

Uso amplo

Ganhou uso frequente em ambientes hospitalares, sobretudo em geriatria e em quadros de desidratação, antes da consolidação da via intravenosa como padrão.1,5

1940 a 1950

Eventos adversos e descrédito

Relatos envolvendo pediatria, grandes volumes, soluções inadequadas e indicação incorreta reforçaram a imagem de técnica perigosa, apesar de estarem ligados a uso impróprio.1,4

Após 1950

Substituição pela via intravenosa

Com a maior disponibilidade da via intravenosa, a hipodermóclise caiu em desuso e passou a ser vista com resistência por parte de profissionais.1,2,5

Anos 1990 a 2000+

Reabilitação contemporânea

Revisões, protocolos e séries clínicas passaram a resgatar seu papel, especialmente em idosos, crianças e pacientes em cuidados paliativos, como opção simples, segura e de menor custo quando bem indicada.2,3,4,5

Fontes usadas nesta aba
  1. Barua, P., & Bhowmick, B. (2005). Hypodermoclysis: a victim of historical prejudice.
  2. Silva, P., & Santos, E. (2018). Cuidados paliativos: hipodermóclise, uma técnica do passado com futuro.
  3. Vasconcellos, C., & Milão, D. (2019). Hipodermóclise: alternativa para infusão de medicamentos em idosos e cuidados paliativos.
  4. De Souza et al. (2022). The state of the art on hypodermoclysis in child health care.
  5. De Andrade Pereira De Brito, W. (2016). Hipodermóclise no idoso: uma terapia para a autonomia no cuidado.

Indicações e contraindicações

A hipodermóclise é descrita como técnica simples, segura e eficaz para hidratação e administração de alguns medicamentos, sobretudo em idosos e pacientes em cuidados paliativos.1,2,4,5,6

Indicações

  • Via oral impossível.1,2,4,6
  • Acesso venoso difícil.1,2,4,6
  • Hidratação: desidratação leve a moderada e prevenção em pacientes com risco clínico.4,5
  • Controle de sintomas: dor, náuseas, vômitos, fraqueza, sedação e outros sintomas conforme prescrição.1,2,3,6

Contraindicações absolutas

  • Recusa do paciente.1,6
  • Falência circulatória, choque ou desidratação grave com necessidade de reposição rápida.1,4,5,6
  • Sobrecarga de fluidos, edema importante, anasarca ou insuficiência cardíaca congestiva descompensada.1,4,5,6
  • Trombocitopenia grave ou grandes hematomas.1,6

Contraindicações relativas e locais a evitar

AsciteEvitar sítios que aumentem desconforto ou risco local.1,6
Circulação linfática comprometidaInclui áreas pós-cirurgia ou radioterapia.1,6
Pele alteradaNão usar áreas com infecção, inflamação ou lesão.1,4,6
Regiões mecânicasEvitar proximidade de articulações e proeminências ósseas.1,4,6
Tumores e diálise peritonealEvitar punção sobre tumores ou em áreas de risco relacionadas.1,3,6
Caquexia torácica importanteRequer cautela pelo risco de pneumotórax.1,6
Fontes usadas nesta aba
  1. Vasconcellos, C., & Milão, D. (2019). Hipodermóclise: alternativa para infusão de medicamentos em idosos e cuidados paliativos.
  2. Brugnolli, A., Bevilacqua, A., & Pedrotti, D. (2025). Indications to the use of subcutaneous route for fluids and drugs administration.
  3. Coelho, T., Wainstein, A., & Drummond-Lage, A. (2020). Hypodermoclysis as a strategy for end-of-life cancer in home care.
  4. Sasson, M., Shvartzman, P., & Ben-Gurion, M. (2001). Hypodermoclysis: an alternative infusion technique.
  5. López, J., & Reyes-Ortiz, C. (2010). Subcutaneous hydration by hypodermoclysis.
  6. Silva, P., & Santos, E. (2018). Hipodermóclise: técnica do passado com futuro.

Medicamentos e soluções

Siglário

SC
- via subcutânea.
SF 0,9%
- soro fisiológico 0,9%.
CSCI
- infusão subcutânea contínua.
mL/h
- mililitros por hora.
gotas/min
- gotas por minuto em equipo de macrogotas.
PVC
- policloreto de vinila.
OE
- opinião de especialista.

Morfina

Dose1,2,4Bolus por via subcutânea (SC): 2-3mg a cada 4 horas; infusão contínua: 10-20mg/dia, com ajuste individualizado.
Diluição1,4Preferir soro fisiológico 0,9% (SF 0,9%); diluir a dose prescrita em SF 0,9% conforme volume planejado. É possível fazer sem diluição.OE
Tempo de infusão1,2,4Bolus ou infusão contínua; velocidade usual entre 20-100mL/h, equivalente a aproximadamente 7-33 gotas/min em equipo de macrogotas.
Não existe dose máxima definida. Iniciar com doses menores em idosos, pacientes frágeis ou com doença renal, monitorando sedação, depressão respiratória, edema, irritação, hematoma ou infecção local.4
Preferir diluição da medicação que será infundida em 24h no lugar de solução 1:1 a fim de evitar desperdício de medicação.OE

Escopolamina

Dose3,420mg 8/8h até 60mg 6/6h; estudo descreve bolus SC de 20mg e manutenção 60mg/24h.
Diluição3,4SF 0,9% 1mL para bolus; volume de diluição para infusão contínua não especificado nas fontes.
Tempo de infusão3,4Infusão em bolus ou contínua.
Não confundir com a apresentação combinada com dipirona.

Clorpromazina

Dose5,6,712,5 a 50mg até de 6/6h (dose máxima 150mg/dia)
Diluição5,6,7SF 50mL (intermitente); SF 100mL (infusão contínua)
Tempo de infusão5,6,730min ou infusão contínua
Se infusão contínua, usar frasco sem PVC.

Ceftriaxona

Dose4,16,18,191 a 2g SC a cada 24h, conforme indicação clínica, prescrição e protocolo local. Em coorte com pacientes acima de 75 anos, a dose média foi próxima de 1g/dia.
Diluição18Diluição em SF 0,9% 100 ml.
Tempo de infusãoOEInfundir em 60min.OE
Evidências em adultos, especialmente idosos, descrevem uso SC como alternativa viável quando o acesso venoso é difícil. No estudo prospectivo em cuidados paliativos, não houve suspensão por intolerância local; quando houve irritação, foi manejada com troca do ponto de infusão. Reações locais, como edema, dor, induração, rubor ou irritação, devem ser monitoradas.4,15,17,18,19

Dipirona

Dose41 a 2g até 6/6h, conforme protocolo local.
DiluiçãoOEDiluir em 50mL de SF.OE
Tempo de infusãoOEInfundir em 30min.OE
As fontes revisadas não encontraram estudos com parâmetros específicos de volume, diluição ou taxa de infusão para metamizol/dipirona por hipodermóclise.

Dexametasona

Dose4,8,92 a 16mg a cada 24h
DiluiçãoOEDiluir em 50mL de SF.OE
Tempo de infusãoOEInfundir em 30min.OE
Geralmente utilizada em via exclusiva, porém é possível utilizar outras medicações no mesmo sítio desde que seja respeitado o intervalo de no mínimo 60min.OE
Estudos descrevem uso subcutâneo frequente em cuidados paliativos, mas não trazem volume, concentração ou taxa em mL/h específicos para dexametasona.

Haloperidol

Dose4,9,10,11,12,13Em infusão subcutânea contínua (CSCI), mediana aproximada de 2,5 a 3mg/24h; faixa observada de 0,5 a 10mg/24h.
Diluição4,9,10,11,12,13Os estudos de CSCI não especificam receita padrão de diluição, volume final ou taxa em mL/h para haloperidol isolado.
Tempo de infusão4,9,10,11,12,13Bolus lento ou infusão subcutânea contínua, geralmente em 24h.

Midazolam

Dose4,11,12,141 a 5mg em bolus ou infusão contínua, titulando conforme sintomas.
Diluição4,11,12,14SF 0,9% 5mL para bolus; em CSCI, ajustar volume final conforme protocolo local e dispositivo disponível.
Tempo de infusão4,11,12,14Bolus ou infusão subcutânea contínua, geralmente em 24h.
Pode causar irritação local. Velocidade de infusão de 0,5mL/h a 20mL/h, equivalente a aproximadamente 0,2-7 gotas/min em equipo de macrogotas.

Metoclopramida

Dose4,21,2210 a 20mg a cada 6-8h ou 30 a 60mg em bolus, conforme prescrição e protocolo local; estudos descrevem infusão subcutânea contínua de 60-90mg/dia e 120-240mg/24h em contextos oncológicos.
Diluição4,21,22SF 50mL; menor volume descrito: SF 1:1mL para infusão lenta em bolus.
Tempo de infusão4,21,2250min ou infusão subcutânea contínua em 24h quando prescrita em bomba.
Monitorar probabilidade de efeitos extrapiramidais. É irritante, sendo comum a ocorrência de reação no local de aplicação; estudos também descreveram sonolência, acatisia e irritação local.4,21,22

Ondansetrona

Dose274-8mg de 8/8h; infusão contínua: 16-24mg em 24h.
Diluição27Diluir em SF 0,9%, água destilada ou SG 5%. Pode ser diluída em pequenos volumes, inclusive para bombas de infusão portáteis.
Tempo de infusão25,27Administração intermitente conforme prescrição ou infusão contínua em 24h.
No estudo observacional de Pontalti et al., ondansetrona foi prescrita por hipodermóclise em 29 de 80 pacientes (36,3%).26
Revisar risco de alargamento do intervalo QT, especialmente com outras medicações que tenham o mesmo efeito. Também pode causar constipação, cefaleia e irritação local.27

Furosemida

DoseIntermitente: até 60mg de 6/6h.25 Contínua: até 240mg em 24h.23,24,25
DiluiçãoIntermitente: diluir em 2mL de SF 0,9%.25 Contínua: diluir em 100mL de SF 0,9%.25
Tempo de infusãoIntermitente: bolus lento.25 Contínua: em 24h.23,24,25
Efeitos locais descritos: dor, edema, eritema e infecção local, em 3-23% das aplicações.23,24 A infusão subcutânea contínua foi associada a perda de peso, controle de sintomas e redução de internações em pacientes com insuficiência cardíaca avançada.23,24

Soro fisiológico 0,9% (SF)

Dose4,5,6Máximo de 1500mL em 24h conforme sítio de punção.
Diluição4,5,6Solução pronta para infusão.
Tempo de infusão4,5,6Infusão contínua conforme prescrição e tolerância local.
Atentar para tolerância volêmica de acordo com o tecido subcutâneo do paciente.OE
Volume de infusão máximo 62,5mL/h, equivalente a aproximadamente 21 gotas/min em equipo de macrogotas. Considerar o limite de volume conforme o sítio de punção escolhido.

Soro glicosado 5% (SG 5%)

Dose4Máximo de 1500mL em 24h conforme sítio de punção.
Diluição20Solução pronta para infusão; preferir uso associado à solução salina/isotônica quando indicado.
Tempo de infusão4Infusão contínua conforme prescrição e tolerância local.
Atentar para tolerância volêmica de acordo com o tecido subcutâneo do paciente.OE
Volume de infusão máximo 62,5mL/h, equivalente a aproximadamente 21 gotas/min em equipo de macrogotas. Considerar o limite de volume conforme o sítio de punção escolhido.
Referências usadas nesta aba
  1. Vasconcellos, C. F., & Milão, D. Hipodermóclise: alternativa para infusão de medicamentos em pacientes idosos e pacientes em cuidados paliativos. PAJAR. 2019.
  2. Bruera et al. Hypodermoclysis for the administration of fluids and narcotic analgesics in patients with advanced cancer. J Pain Symptom Manage. 1990.
  3. Wildiers, H. et al. Atropine, hyoscine butylbromide, or scopolamine are equally effective for the treatment of death rattle in terminal care. Journal of Pain and Symptom Management. 2009.
  4. Manual Hipodermóclise da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) 2025. O uso da via subcutânea na geriatria e em cuidados paliativos. 3ª edição.
  5. Avillés, R. G., Antiñolo, F. G. Uso de la vía subcutánea en cuidados paliativos. Madrid: Sociedad Española de Cuidados Paliativos (SECPAL), 2013.
  6. NHS Greater Glasgow and Clyde. Guideline for the use of subcutaneous medications in palliative care for adults. Palliative Care Practice Development Team, 2011.
  7. Souza G. B. Manual de drogas injetáveis. 4ª edição. Editora Medfarma. São Paulo, 2017.
  8. Walker, J., Lane, P., & McKenzie, C. Evidence-based practice guidelines: a survey of subcutaneous dexamethasone administration. International Journal of Palliative Nursing. 2010.
  9. Bartz, L. et al. Subcutaneous administration of drugs in palliative care: results of a systematic observational study. Journal of Pain and Symptom Management. 2014.
  10. Gambles, M. et al. How is agitation and restlessness managed in the last 24 h of life in patients whose care is supported by the Liverpool Care Pathway for the Dying Patient? BMJ Supportive & Palliative Care. 2011.
  11. Baker, J. et al. An evaluation of continuous subcutaneous infusions across seven NHS acute hospitals. BMC Palliative Care. 2020.
  12. Fürst, P. et al. Continuous subcutaneous infusion for pain control in dying patients: experiences from a tertiary palliative care center. BMC Palliative Care. 2020.
  13. Leong, M., Michael, N., & Wojnar, R. Compatibility of medication admixtures in continuous subcutaneous infusions. International Journal of Pharmacy Practice. 2024.
  14. Bottomley, D. M., & Hanks, G. W. Subcutaneous midazolam infusion in palliative care. Journal of Pain and Symptom Management. 1990.
  15. Pardo, I. et al. Safety of subcutaneous versus intravenous ceftriaxone administration in older patients: A retrospective study. Journal of the American Geriatrics Society. 2024.
  16. Roubaud-Baudron, C. et al. Pharmacokinetics of Subcutaneous and Intravenous Ceftriaxone in an Older Population: The PhASAge Study. Open Forum Infectious Diseases. 2025.
  17. Roubaud-Baudron, C. et al. Tolerance of subcutaneously administered antibiotics: a French national prospective study. Age and Ageing. 2016.
  18. Centeno Cortés C, Galriça Neto I, Vara Hernando F. Estudio prospectivo con ceftriaxona subcutánea en pacientes de cuidados paliativos. Medicina Clínica. 2008;130(11):439.
  19. Gauthier D. et al. Subcutaneous and intravenous ceftriaxone administration in patients more than 75 years of age. Médecine et maladies infectieuses. 2014.
  20. Sasson M, Shvartzman P. Hypodermoclysis: an alternative infusion technique. American Family Physician. 2001;64(9):1575-1579.
  21. Bruera E, MacDonald N, Brenneis C, Simpson I, Legatt D. Metoclopramide infusion with a disposable portable pump. Annals of Internal Medicine. 1986;104:896.
  22. Bruera E, Michaud M, Partington J, Brenneis C, Paterson A, MacDonald RN. Continuous subcutaneous infusion of metoclopramide using a plastic disposable infusor for chemotherapy-induced emesis. Journal of Pain and Symptom Management. 1988;3(2):105-107.
  23. Zacharias H, Raw J, Nunn A, Parsons S, Johnson M. Is there a role for subcutaneous furosemide in the community and hospice management of end-stage heart failure? Palliative Medicine. 2011;25(6):658-663.
  24. Brown A, Westley K, Robson J, Armstrong L, Matthews I, Runnett C, Ripley D, Thomas H. Furosemide in end-stage heart failure: community subcutaneous infusions. BMJ Supportive & Palliative Care. 2020.
  25. O'Doherty CA, Hall EJ, Schofield L, Zeppetella G. Drugs and syringe drivers: a survey of adult specialist palliative care practice in the United Kingdom and Eire. Palliative Medicine. 2001;15(2):149-154.
  26. Pontalti G, Riboldi CO, Santos L, Longaray VK, Guzzo DA, Echer IC. Hipodermóclise em pacientes com câncer em cuidados paliativos. Revista de Enfermagem da UFSM. 2018;8(2):276-287.
  27. Wilcock A, Howard P, Charlesworth S. PCF8 - Palliative Care Formulary. 8th ed. London: Pharmaceutical Press; 2022.

Compatibilidade

Verificar compatibilidade

Compatível

Morfina + Escopolamina: compatibilidade provável por suporte indireto para opioides com escopolamina em contexto paliativo.2,5

Compatibilidade entre Morfina, Escopolamina, Clorpromazina, Ceftriaxona, Dipirona, Dexametasona, Haloperidol, Midazolam, Metoclopramida, Ondansetrona, Furosemida, SF 0,9% e SG 5%
Par avaliado Situação Interpretação prática
Morfina + Escopolamina Compatível Há suporte indireto para opioides com escopolamina em contexto paliativo.2,5
Morfina + Midazolam Compatível Uma das combinações de infusão subcutânea contínua (CSCI) mais comuns em cuidados paliativos; midazolam por via subcutânea (SC) com opioide foi bem tolerado localmente.4,5
Morfina + Haloperidol Compatível Combinação frequente; há dados parenterais em SF 0,9% sem precipitação.3,5
Morfina + Metoclopramida Compatível Misturas binárias/ternárias com morfina, haloperidol e metoclopramida foram descritas como compatíveis e estáveis em SF.9-11
Haloperidol + Metoclopramida Compatível Misturas binárias/ternárias com morfina, haloperidol e metoclopramida foram descritas como compatíveis e estáveis em SF.9-11
Morfina + Haloperidol + Metoclopramida Compatível Combinação descrita como compatível e estável em SF em misturas subcutâneas paliativas.9-11
Morfina + Haloperidol + Midazolam Compatível Combinação descrita como frequente em serviços de cuidados paliativos.3,5
Morfina + Clorpromazina Dados insuficientes Aparece em coquetéis parenterais com morfina e haloperidol, mas o dado citado não é SC direto.
Escopolamina + Midazolam Compatível Combinações com hioscina/escopolamina e midazolam são muito usadas em CSCI, inclusive associadas a opioides.2,5
Escopolamina + Haloperidol Compatível Escopolamina + haloperidol em SF 0,9% aparece em mistura ternária SC estável.1
Clorpromazina + Haloperidol Dados insuficientes Sem precipitação em coquetel parenteral com morfina e haloperidol; não há dado SC direto para o par isolado.
Ceftriaxona + outros medicamentos Dados insuficientes Não há dado específico de mistura, na mesma seringa ou bomba subcutânea, envolvendo ceftriaxona com morfina, escopolamina, clorpromazina, dexametasona, haloperidol ou midazolam.2,5,6
Dexametasona + Morfina Dados insuficientes Combinação usada na prática, mas a fonte destaca falta de apoio laboratorial formal para muitas associações.
Dexametasona + Haloperidol Dados insuficientes A dexametasona aparece como usada por via SC, mas não foi estudada nessas combinações específicas.
Dexametasona + Midazolam Dados insuficientes Não há detalhamento de compatibilidade em mistura com midazolam nas fontes citadas.
Dipirona + Morfina ou Escopolamina Compatível Compatível para uso conforme orientação cadastrada na prescrição.OE
Dipirona + outros itens Dados insuficientes As fontes não apresentam dado direto de compatibilidade da dipirona nas demais misturas.
Metoclopramida + demais itens Dados insuficientes Há dado para associação com morfina e haloperidol; para os demais itens cadastrados, não há dado direto de compatibilidade nas fontes desta matriz.9-11
Furosemida + outros medicamentos Dados insuficientes A furosemida é descrita como medicamento usado por via subcutânea/hipodermóclise, mas as fontes diretas não apresentam estudo analítico detalhado de compatibilidade em misturas com os demais medicamentos desta matriz.12,16
Ondansetrona + outros medicamentos Dados insuficientes Há registro de uso de ondansetrona por hipodermóclise, mas a fonte observacional não descreve compatibilidade físico-química da mistura com os demais medicamentos desta matriz; há apenas relato de caso específico envolvendo hidromorfona, metoclopramida e ondansetrona.13,15
Hidromorfona + Metoclopramida + Ondansetrona Compatibilidade em relato de caso Relato de caso descreveu infusão subcutânea contínua em um único cassete, com compatibilidade química confirmada e controle de dor/náusea por 9 meses; a evidência é limitada a um caso e não valida misturas com os demais itens da matriz.15
Ondansetrona + SF 0,9% ou SG 5% Compatível como diluente SF 0,9% e SG 5% são descritos como diluentes possíveis para ondansetrona por via subcutânea.14
SF 0,9% com as combinações citadas Diluente preferencial nos dados As combinações com melhor suporte foram descritas em soro fisiológico 0,9%.1,2,3
SG 5% + SF 0,9% + Morfina Compatível Hipodermóclise com solução de 2/3 glicose 5% + 1/3 SF 0,9%, acrescida de morfina, foi descrita como bem tolerada em pacientes com câncer avançado.7,8
SG 5% com escopolamina, clorpromazina, dipirona, dexametasona, haloperidol, midazolam ou metoclopramida Dados insuficientes Não há dados diretos de compatibilidade físico-química ou segurança local para essas misturas em soro glicosado 5%, com ou sem SF 0,9%.6-8
Infusões subcutâneas contínuas com 2-3 medicamentos Dados variáveis Em revisão de 616 infusões subcutâneas contínuas com 2-3 medicamentos, 60% tinham suporte laboratorial de compatibilidade e 40% eram usadas sem dados de compatibilidade, reforçando a necessidade de validação farmacêutica antes de ampliar combinações.6
Todos juntos na mesma seringa Dados insuficientes Não há estudo avaliando uma única mistura contendo ceftriaxona, morfina, escopolamina, clorpromazina, dipirona, dexametasona, haloperidol, midazolam, metoclopramida, ondansetrona, furosemida, SF 0,9% e SG 5%.2,5-16
Referências usadas nesta aba
  1. Negro et al. (2010). Compatibility and stability of ternary admixtures of tramadol, haloperidol, and hyoscine N-butyl bromide.
  2. Isherwood, Forsyth, & Wilson (2021). Subcutaneous dihydrocodeine tartrate compatibility in syringe pump.
  3. Fusi-Schmidhauser, Caronzolo, & Gamondi (2016). Multidrug infusions in a Swiss palliative care unit.
  4. Bottomley, D., & Hanks, G. (1990). Subcutaneous midazolam infusion in palliative care.
  5. Dickman et al. (2017). Drug combinations administered by continuous subcutaneous infusion requiring compatibility analysis.
  6. Leong, M., Michael, N., & Wojnar, R. (2024). Compatibility of medication admixtures in continuous subcutaneous infusions.
  7. Bruera E, Legris M, Kuehn N, Miller M. Hypodermoclysis for the administration of fluids and narcotic analgesics in patients with advanced cancer. Journal of Pain and Symptom Management. 1990.
  8. Bruera E, Legris M, Kuehn N, Miller M. Hypodermoclysis for the administration of fluids and narcotic analgesics in patients with advanced cancer. Journal of the National Cancer Institute. 1989.
  9. Bosch M, Rojas F, Ojeda C. Compatibility and stability of drug mixtures: an overview. GSC Biological and Pharmaceutical Sciences. 2022.
  10. Negro S, Azuara M, Sánchez Y, Reyes R, Barcia E. Physical compatibility and in vivo evaluation of drug mixtures for subcutaneous infusion to cancer patients in palliative care. Supportive Care in Cancer. 2002.
  11. María E, Fuensanta S, Catalina B. Determination of compatibility and stability of haloperidol and morphine mixtures used in palliative care. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences. 2018.
  12. Zacharias H, Raw J, Nunn A, Parsons S, Johnson M. Is there a role for subcutaneous furosemide in the community and hospice management of end-stage heart failure? Palliative Medicine. 2011;25(6):658-663.
  13. Pontalti G, Riboldi CO, Santos L, Longaray VK, Guzzo DA, Echer IC. Hipodermóclise em pacientes com câncer em cuidados paliativos. Revista de Enfermagem da UFSM. 2018;8(2):276-287.
  14. Manual Hipodermóclise da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) 2025. O uso da via subcutânea na geriatria e em cuidados paliativos. 3ª edição.
  15. Aoun L, Zakaria J. A Case Report of Continuous Subcutaneous Infusion of Hydromorphone, Metoclopramide and Ondansetron Used To Treat Refractory Pain and Nausea in an Ambulatory Palliative Clinic. Palliative Medicine and Hospice Care Open Journal. 2017.
  16. Brown A, Westley K, Robson J, Armstrong L, Matthews I, Runnett C, Ripley D, Thomas H. Furosemide in end-stage heart failure: community subcutaneous infusions. BMJ Supportive & Palliative Care. 2020.

Pediatria

Uso pediátrico exige avaliação individual

A hipodermóclise em pediatria pode ser considerada quando a via oral está limitada e o acesso venoso é difícil, especialmente em cuidados paliativos ou acompanhamento domiciliar, desde que exista prescrição individualizada, equipe treinada e plano de monitoramento. A literatura pediátrica ainda é limitada, mas descreve a via como alternativa viável em crianças selecionadas, com foco em conforto, menor número de punções e manejo de sintomas.1,2

Referências usadas nesta aba
  1. Smith A, Brimble MJ. Use of subcutaneous fluids in palliative care with children: a case study. Nursing Children and Young People. 2020.
  2. García-López I, Chocarro-González L, Martín-Romero I, Vázquez-Sánchez JM, Avilés-Martínez M, Martino-Alba R. Pediatric Palliative Care at Home: A Prospective Study on Subcutaneous Drug Administration. Journal of Pain and Symptom Management. 2023.
  3. NSW Health. Palliative care services for children with a life-limiting illness.
  4. The Royal Children's Hospital Melbourne. Indwelling Subcutaneous Insuflon Management Guideline.
  5. Children's Mercy Kansas City. Starting Doses of Opioids. End-of-life pathway.
  6. Allen CH, Etzwiler LS, Miller MK, et al. Recombinant Human Hyaluronidase-Enabled Subcutaneous Pediatric Rehydration. Pediatrics. 2009.
  7. Spandorfer PR, Mace SE, Okada PJ, et al. Recombinant human hyaluronidase-facilitated subcutaneous versus intravenous rehydration in children. Clinical Therapeutics. 2012.
  8. Children's Health Queensland Hospital and Health Service. A practical guide to palliative care in paediatrics.
  9. Association for Paediatric Palliative Medicine. APPM Formulary. 6th edition. 2024.

Prescrição

Tipo de prescrição

Prescrição estruturada

Quantidade de hipodermóclises sugerida:

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Técnica de punção

As flechas vermelhas indicam o sentido da agulha.
Imagem de apoio para técnica de punção subcutânea

Passo a passo da punção

Cateter agulhado (scalp)

  1. Explique e prepare. Oriente paciente e familiares, higienize as mãos, separe o material em bandeja e calce luvas de procedimento.1
  2. Preencha o circuito. Preencha o intermediário do scalp com 1mL de soro fisiológico 0,9% e mantenha a seringa acoplada à via introdutória.1
  3. Escolha o sítio. Avalie tecido subcutâneo, conforto, volume previsto e contraindicações locais. Se houver pelos, use tricotomia ou tesoura; evite lâmina.1,3
  4. Faça antissepsia. Realize antissepsia da pele com álcool 70% ou clorexidina e aguarde a secagem antes da punção.1
  5. Puncione com prega cutânea. Tracione a pele e introduza o scalp com bisel voltado para cima, em direção centrípeta, acompanhando a drenagem linfática local.1
  6. Ajuste o ângulo. Use 45 graus na maioria dos pacientes; em pessoas emagrecidas, reduza para cerca de 30 graus.1,2,3
  7. Aspire e confirme. A agulha deve parecer livre no subcutâneo. Aspire para excluir vaso; se houver retorno sanguíneo, retire e repuncione a pelo menos 5cm.1
  8. Fixe e identifique. Enrole o intermediário e fixe com cobertura estéril transparente. Identifique data, horário, profissional e medicação exclusiva, se houver.1
  9. Administre e registre. Administre bolus ou conecte a solução. Após bolus, injete 1mL de soro fisiológico 0,9% (SF 0,9%) e registre tipo, calibre, sítio, curativo e intercorrências.1

Pontos de segurança

  • Não rotacione o cateter em 180 graus após a punção; essa prática pode traumatizar o tecido.1
  • Em scalp, evite dispositivo com retração automática da agulha, pois pode favorecer retirada acidental e lesão por pressão relacionada a dispositivo.1
  • Não é recomendado que o scalp seja utilizado para longa permanência.1
  • Use cobertura transparente sempre que possível para facilitar monitoramento de edema, rubor, dor, secreção ou deslocamento.1,2,3

Material necessário

Cateter agulhado (scalp)

  • Bandeja e luvas de procedimento1.
  • Solução antisséptica: álcool 70% ou clorexidina1.
  • Gaze não estéril ou bola de algodão1.
  • Cateter agulhado, tipo scalp 21 a 25G1,2,3.
  • Agulha 40 x 12mm para aspiração de medicação1.
  • Seringa de 1mL e flaconete de 10mL de soro fisiológico 0,9% (SF 0,9%)1.
  • Cobertura estéril transparente para o sítio de punção1,3.
  • Esparadrapo ou fita micropore para fixação do circuito e identificação1,3.

Antes de começar

  • Separe todo o material em bandeja antes da punção1.
  • Preencha o circuito intermediário com soro fisiológico 0,9% antes de puncionar1.
  • Prefira cobertura transparente para facilitar o monitoramento do sítio1,3.

Principais cuidados

Ao puncionar
  • Verificar prescrição médica e compatibilidade dos medicamentos com esta via.4
  • Atentar para o volume máximo tolerado em cada área.1,2,3,4
  • Avaliar o melhor local para punção, lembrando que a primeira opção de escolha é a região abdominal.4
  • Observar a direção da agulha e escolher ângulo de 15 a 45º conforme tecido subcutâneo do paciente.4
  • Ao puncionar, soltar a prega somente após a inserção total da agulha.4
  • Checar presença de “botão” ou “soroma”, pequena elevação que, quando presente, deve ser amolecida à palpação superficial e rapidamente absorvida.4
  • Identificar a punção com data e nome da pessoa que realizou o procedimento.4
Ao administrar medicamentos
  • Administrar os medicamentos lentamente, aproximadamente 1mL/min.4
  • Logo após, infundir 3mL de soro fisiológico 0,9% (SF 0,9%) para garantir que toda medicação seja infundida.4
  • Não administrar mais que três medicamentos por vez.4
  • Utilizar 1mL de SF 0,9% entre as medicações.4
Segurança e sinais de alerta
  • Sempre higienizar as mãos antes e depois de manipular a hipodermóclise.4
  • Realizar assepsia do dispositivo antes de administrar os medicamentos.4
  • Em caso de hiperemia, dor e edema que não cessem em quatro horas, retirar a hipodermóclise e puncionar outro sítio.2,3,4
Referências usadas nesta aba
  1. Schen R. Administration of fluid by subcutaneous infusion: revival of a forgotten method. Harefuah. 1997.
  2. Sasson M, Shvartzman P. Hypodermoclysis: an alternative infusion technique. Am Fam Physician. 2001.
  3. Dasgupta M, Binns MA, Rochon PA. Subcutaneous fluid infusion in a long-term care setting. J Am Geriatr Soc. 2000.
  4. Manual Hipodermóclise da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) 2025. O uso da via subcutânea na geriatria e em cuidados paliativos. 3ª edição.

Documentos e checklists

Orientações ao cuidador

A hipodermóclise em casa pode ser segura quando é corretamente indicada, acompanhada por equipe treinada e quando o cuidador sabe o que observar.1,2

Cuidados com o local da punção
  • Inchaço ou edema ao redor da agulha ou cateter.2
  • Vermelhidão no local da punção.2
  • Dor, ardor ou queimação no local puncionado.2
  • Esses sinais podem ser leves, mas o sítio deve ser reavaliado pela equipe.1,2
Durante a infusão
  • Conferir se a solução está correndo conforme orientação da equipe.1,2
  • Não alterar velocidade, volume ou medicamentos sem orientação profissional.1,3
  • Manter frasco, equipo e conexões protegidos e organizados.1,2
Quando acionar a equipe
  • Inchaço intenso, aumento rápido do volume ou endurecimento importante no local.1,2
  • Vermelhidão que se expande, calor local ou saída de secreção.1,2
  • Dor intensa ou que não melhora após pausa ou orientação de troca do local.1,2
  • Piora evidente do estado geral, como mais sonolência, falta de ar ou rebaixamento do nível de consciência.1,3,5
  • Dúvida ou insegurança do cuidador sobre a continuidade do cuidado.3,4,5
Papel da equipe e do cuidador
  • Seguir as orientações combinadas com a equipe de saúde.1,3
  • Manter comunicação aberta em caso de intercorrência ou dúvida.3,4,5
  • Registrar mudanças observadas no local da punção ou no estado geral.1,3
  • Evitar modificar volume, velocidade ou medicamentos sem orientação profissional.1,3

Importante

O cuidador deve vigiar principalmente o local da punção e mudanças importantes no estado geral do paciente. Diante de sinais intensos, dúvidas ou piora clínica, a orientação é acionar a equipe de saúde.1,3,5

Referências usadas nesta aba
  1. Dib R, Santana M, Ferreira W, Antunes R, França L, De Souza Ramos R. Applicability of hypodermoclysis in patients in palliative care. Concilium. 2023.
  2. Vasconcellos C, Milão D. Hipodermóclise: alternativa para infusão de medicamentos em pacientes idosos e pacientes em cuidados paliativos. PAJAR. 2019.
  3. Nietsche E et al. Equipe de saúde e familiares cuidadores: atenção ao doente terminal no domicílio. Revista de Enfermagem Referência. 2013.
  4. Langaro F et al. Vivência familiar nos cuidados domiciliares em final de vida e processos de luto. 2015.
  5. Queiroz A et al. Cuidados voltados aos familiares de pessoas em finitude humana. Research, Society and Development. 2021.
  6. García-López I, Chocarro-González L, Martín-Romero I, Vázquez-Sánchez JM, Avilés-Martínez M, Martino-Alba R. Pediatric Palliative Care at Home: A Prospective Study on Subcutaneous Drug Administration. Journal of Pain and Symptom Management. 2023.
  7. Children's Health Queensland Hospital and Health Service. A practical guide to palliative care in paediatrics.
  8. Association for Paediatric Palliative Medicine. APPM Formulary. 6th edition. 2024.

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